O Brasil registrou, em 2025, um recorde muito preocupante: o maior número de afastamentos do trabalho por transtornos mentais em uma década. Segundo dados do Ministério da Previdência Social, foram mais de meio milhão de licenças concedidas a trabalhadores acometidos por problemas como depressão e ansiedade. Os números não deixam dúvidas de que vivemos hoje uma crise de saúde mental que impacta empresas, funcionários e suas famílias.
O bem-estar do trabalhador é um direito garantido pela Constituição, que determina que o empregador ofereça um ambiente de trabalho seguro. Mas essa segurança por muito tempo foi vista apenas como prevenção a acidentes de trabalho e doenças relacionadas a lesões por esforço repetitivo, por exemplo. Não se incluía nesse rol a saúde mental. As consequências de uma rotina estressante, o acúmulo de trabalho ou a falta de um repouso adequado só eram contabilizados como questões de saúde quando seus reflexos atingiam o corpo físico.
O estresse ocupacional afeta não apenas o desempenho do funcionário, como também tem reflexos na produtividade de toda a equipe. Gera desmotivação, sobrecarga de trabalho, deterioração do clima organizacional, entre outros prejuízos, inclusive financeiros. Investir na saúde física e mental dos trabalhadores não só significa um time mais parceiro e engajado, como traz importantes ganhos para a empresa, como melhoria na qualidade dos serviços e uma imagem positiva diante dos clientes e fornecedores e das próprias equipes, ampliando a atratividade dos melhores profissionais do mercado.
Mas as ações relacionadas ao bem-estar corporativo não podem ser vistas como um benefício pontual. Precisam ser sistemáticas e fazer parte de um programa voltado à saúde integral dos funcionários. As empresas do setor de comércio de bens, serviços e turismo encontram no Sesc um parceiro estratégico para a promoção do bem-estar de seus colaboradores. Criada há oito décadas por iniciativa do empresariado, a instituição desenvolve uma atuação ampla e contínua voltada à saúde integral do trabalhador, que considera de forma indissociável os aspectos físicos, mentais e sociais da vida profissional.
Nesse contexto, o Sesc Empresas atua como uma frente que aproxima ainda mais essa relação, articulando ações estruturadas diretamente com as empresas e seus trabalhadores. Com ações em todo o país, a iniciativa alcançou diretamente 197 empresas, beneficiando mais de 53 mil trabalhadores. Essa atuação se soma a um ecossistema mais amplo de educação, cultura, lazer e assistência que contribui para o equilíbrio físico e emocional das pessoas. Hoje, mais de 10,5 milhões de pessoas têm a Credencial Plena e usufruem das atividades da instituição, reforçando o seu papel como aliada das empresas na construção de ambientes de trabalho mais saudáveis, produtivos e sustentáveis.
Em maio, entra em vigor a atualização da Norma Regulamentadora nº1 (NR-1), incluindo no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais os fatores de risco psicossociais. A norma deixa claro que não apenas os riscos físicos, químicos ou biológicos precisam ser gerenciados, mas problemas emocionais e organizacionais também fazem parte da responsabilidade do empregador.
Essa mudança representa um grande avanço para as relações trabalhistas, porque o olhar mais apurado para a saúde mental do corpo funcional não só diminuirá os afastamentos do trabalho, como proporcionará um vínculo mais forte entre funcionários e empregadores.
O trabalho consolidado do Sesc como promotor de qualidade de vida e bem-estar social, presente em todo o país, é um aliado e pode servir como inspiração para essa nova fase do cuidado corporativo porque, muito além de uma exigência legal, é um investimento real na saúde integral dos trabalhadores, é uma escolha inteligente e sustentável, que gera impactos positivos para toda a sociedade.
As atividades integradas desenvolvidas pelo Sesc e voltadas a educação, saúde, cultura, lazer e assistência atuam de forma preventiva e podem contribuir para a redução do estresse, da ansiedade e do sedentarismo, que são fatores frequentemente associados a doenças mentais. Os programas culturais e espaços de convivência fortalecem vínculos sociais, ampliam repertórios simbólicos e criam oportunidades de expressão, elementos fundamentais para o equilíbrio emocional.
Uma abordagem integrada reconhece que bem-estar não se limita à ausência de doença, mas envolve outras condições que representam uma real qualidade de vida. Esse conjunto de atividades também contribui para a construção de rotinas mais equilibradas e de uma relação mais saudável com o trabalho.
Artigo escrito por José Carlos Cirilo, Diretor-Geral do Departamento Nacional do Sesc
O Sesc sempre esteve comprometido com a promoção da saúde integral dos trabalhadores do comércio de bens, serviços e turismo. Esse compromisso histórico ganha ainda mais força com o movimento Bem Me Quero, que reforça a importância do cuidado contínuo com corpo e mente. Dentro dessa trajetória, nasceu o podcast Ativamente, um espaço de conversa direta e acessível sobre saúde mental, emoções e bem-estar.
O Ativamente conta com a participação de profissionais de diversas áreas, que discutem questões de impactos à vida de todos nós. Nomes como o psicólogo Jairo Bouer, o antropólogo Michel Alcoforado e o neurocientista Sidarta Ribeiro estão entre os convidados que ajudam a traduzir temas complexos em reflexões práticas sobre atenção, felicidade, tédio criativo e infância digital.
Mais que um programa de entrevistas, o podcast funciona como uma plataforma de acolhimento e alfabetização emocional, propondo novos olhares sobre a forma como lidamos com nossos sentimentos em tempos acelerados e hiperconectados.
O Ativamente é um canal inovador, digital e aberto, capaz de alcançar diferentes públicos e ampliar o acesso à informação de qualidade.
Faz parte de uma rede mais ampla de iniciativas do movimento Bem Me Quero, que reúne projetos, conteúdos e ações presenciais para fortalecer a cultura do autocuidado, do equilíbrio e da escuta atenta.
O podcast Ativamente está disponível no Youtube (abaixo) e Spotify do Sesc Brasil. Basta procurar, dar o play e começar a trilhar um caminho de autoconhecimento e bem-estar.
O Sesc dá início a uma nova fase em sua atuação na área de saúde com a chegada das novas unidades móveis do OdontoSesc, ampliando o acesso a serviços odontológicos de qualidade em todo o país. O projeto, que há mais de 25 anos circula promovendo atendimento nas capitais e cidades do interior, passa a contar com novos veículos, proporcionando mais segurança e conforto aos pacientes.
São caminhões adaptados, com estrutura redesenhada, e novas vans compactas de alta mobilidade, que contribuirão para ampliação do acesso aos serviços de saúde bucal em empresas do comércio de bens, serviços e turismo, de maneira a aproximar ainda mais o Sesc e seu público prioritário. No mês de maio, a primeira unidade do novo modelo de caminhão iniciou as suas operações no Acre, enquanto a primeira van odontológica começou a operar no Espírito Santo, estado que passa a ter sua primeira unidade móvel.
“A ampliação e modernização do projeto OdontoSesc representa nosso compromisso com o cuidado integral do trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo. Essas novas unidades vão garantir mais acesso a tratamentos odontológicos, principalmente em localidades onde os moradores não têm qualquer acesso a serviços desse tipo. Com essa ação, o Sesc reafirma sua vocação de presença nacional e compromisso com a equidade no acesso à saúde, alinhando inovação, acolhimento e proximidade com seu público de trabalhadores”, afirma o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.
Nos novos caminhões, os espaços foram reorganizados, contando agora com dois consultórios individuais e isolamento adequado, além de aparelhos de raio-X próprios que otimizam o diagnóstico e o atendimento. Também foram incorporadas áreas específicas para paramentação, conforme protocolos de biossegurança, contribuindo para reduzir o risco de infecções cruzadas e garantir a segurança de profissionais e pacientes, além de novos espaços administrativos e de armazenamento de materiais de limpeza. Já as vans possuem um consultório odontológico completo — incluindo cadeira odontológica, aparelho de raio-X, compressores de ar e autoclave. Compactas e ágeis, essas unidades ampliam a presença do Sesc especialmente em áreas rurais, comunidades ribeirinhas e empresas do setor comércio.
Atualmente, o OdontoSesc conta com 60 caminhões. Com a inauguração das 17 novas unidades, até o final de 2026, o projeto passará a contar com uma frota de 77 veículos, circulando por todo o país. A estratégia de atuação Sesc Saúde Integral do Trabalhador do Comércio visa ampliar e qualificar os serviços oferecidos pelo programa Saúde. Além do projeto de saúde bucal, o Sesc conta ainda com uma frota de mais de 150 veículos adaptados, que levam serviços a quem mais precisa, como o Sesc Saúde Mulher, voltado à prevenção do câncer de mama e de colo de útero, e o BiblioSesc, biblioteca itinerante que promove o acesso à leitura e à cultura em diversos municípios brasileiros.
Celebrado em 8 de março, o Dia Internacional da Mulher marca o histórico de lutas por direitos e igualdade das mulheres ao longo dos anos. Entre os direitos, está o acesso a saúde. A data chama a atenção para o cuidado integral da saúde feminina e para medidas preventivas que possam contribuir para a qualidade de vida e evitar doenças características desse público, como o câncer de mama.
Ações que permitem diagnósticos com agilidade são essenciais para o combate à doença, que mais mata mulheres no Brasil. Segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer), 73 mil novos casos devem ser registrados apenas nesse ano, estimativa que reforça a necessidade de estruturas que permitam à mulher o acesso a um sistema rápido de detecção da doença.
Foi a prevenção que salvou a vida da Nubia Martins, uma agente de saúde em Lajes, no Rio Grande do Norte. Ela conta que sempre encaminhou mulheres para os exames preventivos, mas jamais passou pela sua cabeça que poderia desenvolver a doença. “Estava com 45 anos e nunca tinha feito os exames de mama porque, naquela época, ainda estava entrando na idade de referência para a avaliação. Quando chegou o caminhão do Sesc Saúde Mulher, fiquei curiosa e resolvi agendar um exame. Todos eles foram feitos no mesmo dia e, ao pegar o resultado, soube que havia um nódulo com calcificações na mama direita. Fiquei em choque!”, lembra.
Mas aí entrou em cena o acolhimento das equipes do projeto. “As atendentes da unidade móvel do Sesc foram muito carinhosas comigo. Fiz a cirurgia e iniciei o tratamento antes que evoluísse para um quadro mais sério. No ano seguinte, minha mãe também foi diagnosticada com câncer de mama. Fomos nos ajudando. Ela se tratou e está curada, cheia de saúde, agora com 84 anos. Se não fosse a unidade móvel do Sesc, sabe-se lá o que teria acontecido”, conta aliviada.
Dona Maria Augusta Costa, de 63 anos, foi outra paciente que descobriu um nódulo na sua visita ao Sesc Saúde Mulher: “Minha agente de saúde me informou que havia vaga na unidade do Sesc para fazer os exames e fui atendida muito rápido. Eu já tenho histórico de câncer de mama na família poque minha mãe e tia tiveram a doença. Na verdade, eu tinha muito medo de ter um tumor maligno e o tratamento não resolver o problema. Foi por isso que chorei muito quando descobrimos o nódulo após os exames, mas, felizmente, a biópsia mostrou que era um tumor benigno. Eu nem acreditei. Agora, preciso só do acompanhamento”, desabafa. Dona Maria Augusta ressalta a importância das unidades móveis do Sesc, que rodam por todo o Brasil: “Às vezes, as pessoas não têm condições de se deslocar para a capital. Como o carro vem aqui com os equipamentos, ajuda muito”.
Prevenção ao câncer de útero
A história de Michelle Ferreira dos Santos, de 41 anos, reforça a importância da prevenção. Ela encontrou no projeto Sesc Saúde Mulher, em Tibau do Sul (RN) a oportunidade de realizar o exame preventivo que revelou um tumor maligno no útero.
“Desde a pandemia adiava minhas consultas e já não fazia o preventivo há 2 anos. Até que consegui agendar um exame em uma unidade móvel do projeto Sesc Saúde Mulher, aonde fui super bem atendida. O resultado revelou a doença ainda no início, me dando chance de iniciar logo o tratamento”, conta. “A equipe teve muita delicadeza ao me passar a informação do resultado, porque eu não tinha noção da real gravidade do problema. Até hoje, a enfermeira do Sesc me liga para saber como estou”, relembra Michele.
O envolvimento das equipes de atendimento fez toda a diferença no caso da Renata Ávila, de Valença, no Rio de Janeiro. Ela conheceu o projeto por meio das redes sociais. “Tudo que a profissional fazia durante a consulta, ela explicava. Isso me dava muita segurança. Em outros lugares, o exame é sempre muito corrido e as profissionais, às vezes, nos tratam sem nenhuma empatia. Aqui, encontrei uma realidade totalmente diferente”, conta.
Para superar o desafio de se relacionar com as comunidades nas unidades móveis, o Sesc Saúde Mulher trabalha em parceria com autoridades de saúde locais. Além disso, forma agentes comunitários para atuar diretamente em cada localidade atendida. A chegada da unidade móvel a uma cidade é planejada com antecedência, incluindo a análise de dados epidemiológicos e o envolvimento de lideranças comunitárias para fortalecer o impacto das ações.
“O objetivo do Sesc Saúde Mulher é levar o serviço de saúde itinerante a lugares em que as populações têm pouco ou nenhum acesso à prevenção, o que ajuda também a reduzir as desigualdades”, comemora Debora Honorio, enfermeira do Sesc Saúde Mulher.
Sesc Saúde Mulher
O Sesc Saúde da Mulher conta com 24 unidades móveis equipadas com mamógrafos digitais e preparadas para a realização de exames citopatológicos, em um ambiente acolhedor às pacientes. O projeto oferece mamografias a mulheres entre 50 e 69 anos, faixa etária onde se observa maior propensão ao câncer de mama, segundo o Ministério da Saúde. Ao focar neste público, que não apresenta sintomas da doença, mas tem potencial de desenvolvê-la, funciona como uma rede de rastreamento e prevenção. Nos exames citopatológicos, os profissionais atendem as mulheres que tenham idades entre 25 e 64 anos, como prevenção ao câncer do colo do útero. Desde sua criação em 2012, o projeto realizou 332 mil mamografias.
No Brasil, a universalização do atendimento à saúde das mulheres ainda demanda atenção e cuidados. É o que mostra o Boletim Epidemiológico, lançado pelo Ministério da Saúde, em março do ano passado. Entre 2010 e 2021, mais de 640 mil mulheres – entre 30 e 69 anos – morreram de câncer no país. Deste total, o câncer de mama foi a causa de 20% dos óbitos e o de colo do útero, 8,1%. Outra pesquisa, dessa vez realizada pela Fundação do Câncer, mostra que há uma vulnerabilidade maior entre mulheres pretas e pardas devido à dificuldade em acessar os serviços de saúde, o que leva a diagnósticos tardios, principalmente em relação ao câncer de colo do útero.
Para ampliar cada vez mais o acesso de mulheres à prevenção, o Sesc utiliza unidades móveis de saúde em todas as regiões do Brasil, com o atendimento gratuito. Atualmente, 25 veículos adaptados para a realização de exames e equipados com mamógrafos digitais circulam por centenas de município a cada ano. São 125 profissionais envolvidos, atuando no rastreamento das doenças e na disseminação de orientações por meio de ações educativas.
Em uma década, o programa já atendeu mais de 590 mil mulheres e se tornou o primeiro a levar o serviço em modelo móvel por todas as regiões do Brasil. Até o ano passado, foram realizadas 342 mil mamografias em pacientes com idades entre 50 e 69 anos, faixa etária com maior propensão ao câncer de mama, segundo o Ministério da Saúde, e 249 mil exames citopatológicos, em mulheres de 25 a 64 anos. Além disso, as equipes realizaram mais de 540 mil ações de Educação em Saúde.
O trabalho em uma unidade móvel apresenta diferentes desafios, como conta Taiane Silva, gerente de Saúde do Sesc no Rio de Janeiro. “A logística de deslocamento demanda um planejamento minucioso para assegurar a chegada pontual da unidade aos locais determinados, muitas vezes enfrentando condições adversas de trânsito, estradas de difícil acesso e o constante cuidado na estabilização das estruturas e equipamentos durante o transporte”, contou.
A principal precaução, segundo ela, é conseguir interagir com as pacientes e sensibilizá-las sobre a importância do cuidado com a saúde. O diferencial do projeto, ressalta Taiane, é oferecer um atendimento humanizado e de alta qualidade. “Impactamos vidas por meio de práticas de escuta ativa, humanização do cuidado, atividades educacionais e a promoção do diagnóstico precoce”, conclui.
A cidade de Extremoz, no Rio Grande do Norte, foi a primeira a receber o projeto do Sesc Saúde Mulher no Brasil, em julho de 2012. Com o ótimo resultado obtido durante o projeto piloto, a atividade passou a ser replicada em outros municípios pelo país. Desde sua primeira edição, só no Rio Grande do Norte, foram cerca de 88 mil exames realizados e quase 230 mil pessoas atendidas.
Depois de descobrir a importância da prevenção para sua saúde, Magaly de Oliveira, moradora de Extremoz, passou a incentivar as amigas. “Fiz o exame de mamografia e digo para outras mulheres: ‘é um exame incômodo, mas necessário. O atendimento é fabuloso e as meninas [que fazem o atendimento] são ótimas’. Então, espero que venham sempre”, ressalta.
O cuidado das equipes de atendimento passa ainda pela forma como o paciente é preparado para o diagnóstico. “Sempre há o temor de um resultado positivo de câncer de mama ou colo uterino. Nosso trabalho passa por prepará-las para receber o resultado da mesma forma que explicamos os procedimentos dos exames, a periodicidade adequada, as preparações necessárias e eventuais restrições”, revela Taiane. A equipe do Sesc Saúde Mulher é treinada e capacitada para sanar todas essas dúvidas e preocupações. “Atuamos de maneira humanizada para proporcionar um ambiente acolhedor e empático, oferecendo informações claras e respondendo a quaisquer dúvidas que as mulheres possam ter”, finaliza.
Celebrado anualmente em 7 de abril, o Dia Mundial da Saúde tem como objetivo promover uma reflexão sobre questões relacionadas à saúde e promoção de políticas voltadas ao bem-estar da população. O conceito de saúde integral, que envolve que envolve o bem-estar físico, mental e social, faz parte do trabalho do Sesc na área, que abrange um conjunto de ações de promoção, prevenção e recuperação da saúde.
São atividades focadas em nutrição, educação em saúde e assistência odontológica, que estimulam as pessoas a refletirem sobre suas escolhas para adoção de hábitos saudáveis. Para tanto, possui uma estrutura ampla e moderna, que conta com 187 clinicas médicas e odontológicas, 403 restaurantes e lanchonetes que oferecem um cardápio nutritivo, a preços acessíveis, 58 unidades móveis do OdontoSesc, com oferta de atendimento odontológico, e 22 unidades móveis do Sesc Saúde Mulher, que oferecem exames preventivos.
Além disso, o público conta nas unidades de todo o país espaços para prática de atividades esportivas e recreativas e uma ampla programação cultural, que contribuem para proporcionar uma vida equilibrada e mais saudável em todos os sentidos.
O Sesc RJ inaugurou no final de 2022 o primeiro Espaço Sesc+Saúde na unidade de Ramos, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A previsão é que este ano mais nove espaços sejam criados, com oferta de diversos serviços e exames (com preços simbólicos), entre eles mamografia e Papanicolau, que previnem e detectam os cânceres de mama e de colo de útero. A iniciativa busca contribuir para a redução da fila por estes exames e laudos. O ambiente multidisciplinar voltado à prevenção em saúde oferece ainda odontologia, psicologia e nutrição.
O serviço é ofertado por preços simbólicos (entre R$ 10 e R$ 50). Os exames, dirigidos a pacientes com pedido médico das redes pública ou privada de saúde, devem ser agendados por telefone: (21) 2290-2646.
Na capital os exames serão também disponibilizados no Sesc Madureira e no Centro de Distribuição do Supermercado Guanabara, em Paciência. Na Região Metropolitana e no interior, o serviço poderá ser encontrado nas unidades Sesc em Nova Iguaçu, São João de Meriti, Duque de Caxias, Niterói, Barra Mansa e Campos. Com isso, a instituição aumenta a capilaridade do atendimento.
A estimativa é que sejam realizados até 120 mil exames por ano quando todas as unidades estiverem em funcionamento.
Pelo bem da saúde, pessoas mais velhas precisam ser inseridas no mundo virtual
Artigo de Janaina Cunha Melo, diretora de programas sociais do Sesc
A expectativa de vida do brasileiro aumenta a cada ano. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 1940 a 2019, o crescimento foi de 31,1 anos. Atualmente, já considerando os impactos irreversíveis da pandemia, a previsão da Organização Mundial da Saúde é de que o Brasil tenha quase 90 milhões de idosos em 2050.
Mas em um mundo globalizado e digital, onde as transformações acontecem em ritmo acelerado, envelhecer pode significar estar cada vez mais excluído da sociedade.
A pandemia de Covid-19 deu luz a essa questão. O distanciamento social, necessário à prevenção do vírus, afetou especialmente o público idoso, que ficou isolado e propenso a um risco maior de depressão e outros sofrimentos – tanto físicos quanto mentais.
A interação por meio virtual foi essencial para a inclusão das pessoas durante o período e uma sensação de conforto emocional. O ambiente digital permitiu acesso a conteúdos diversos – de cursos e atividades lúdicas a entretenimento e contato visual com familiares.
Porém, ainda hoje muitos idosos têm dificuldades de acesso à tecnologia, com relevante dependência de familiares para questões básicas do dia a dia, como movimentar a conta bancária, fazer compras online e interagir pelas redes sociais.
Acompanhar essas novas demandas do público idoso, garantindo ainda a segurança de seus dados, é essencial para reconhecer a visibilidade social dessa expressiva parcela da população.
Para além de todos os desafios dessa nova realidade, há que se considerar também as mudanças comportamentais dessa geração.
Apesar das dificuldades inerentes ao contexto, comprovadamente um sem-número de idosos passou a se integrar com um campo de inesgotáveis possibilidades. Entre elas, conhecer melhor seu próprio corpo por meio das atividades virtuais que conectam dança e bem-estar; assistir
espetáculos culturais oferecidos por sites e plataformas na internet; aprimorar a formação profissional com o ensino a distância.
Ou seja, trata-se de um novo tempo e de um novo cidadão, com formas diversas de se relacionar com o mundo, consigo mesmo e com o outro.
No Sesc, o Trabalho Social com Idosos (TSI) oferece há quase 60 anos um amplo leque de atividades que visam o envelhecimento ativo e o protagonismo da pessoa idosa. Um trabalho pioneiro para estimular o diálogo entre diferentes gerações.
É uma ação construída por várias mãos, transversal e intergeracional, a partir de múltiplos olhares, e que vem se reinventando com as transformações sociais e tecnológicas, para potencializar novas frentes de atuação.
Em diversos pontos do país, oferecemos cursos e oficinas voltados para o aprendizado das melhores práticas e usos da internet, acesso às redes sociais e utilização dos aplicativos disponíveis.
Em novembro, teremos o 1º Encontro Nacional de Idosos do Sesc, que reunirá os participantes do Trabalho Social com Idosos em uma grande confraternização virtual. Será um momento para vencer desafios e reafirmar como, em qualquer tempo ou contexto, o pertencimento é a chave para o desenvolvimento social e humano. Também no digital, a vida acontece com o Sesc. Com todos e para todos, com foco na nossa missão de promover o bem-estar social.
Artigo publicado originalmente na Revista Veja Saúde em 14/10/2022.